Resumo: Economia numa única lição - Henry Hazlitt

Resumo: Economia Numa Única Lição – Completo

Tempo de leitura: 26 minutos

Bem-vindo a mais um resumo aqui no Anarcoments! O resumo de “Economia numa Lição” é especial para mim porque é um dos primeiros livros que li depois de sair da faculdade, onde as leis econômicas não foram muito discutidas, exceto o socialismo econômico disfarçado de liberalismo. Nesse resumo, encontrará muita sabedoria econômica, e espero que aproveite.

Sem mais delongas, clique nos posts abaixo e ser direcionado para capítulos específicos ou, se preferir, voltar aqui neste post e prosseguir para os próximos capítulos. Espero que este resumo seja de grande benefício para ti. Boa leitura!

Capítulo 01 (A Lição)

A Economia é o campo de estudos humanos que mais sofre com falácias. Um desses ataques é o que a física, matemática ou química nem se importam: alegações especiais de interesses  egoísticos. Quando um economista propõe uma certa politica econômica, geralmente ele apela a alguma ação do governo que beneficie um certo grupo as custas de todo o resto da sociedade. 

Se o governo antes pensasse em uma política que beneficiasse todos, este que propôs a medida que beneficiaria somente seu grupo, usaria de todas as suas orças para convencer outras pessoas de que aquela medida é justa e, claro, a cada dia ficaria mais difícil de provar que tudo o que aquele economista disse era uma completa mentira egoísta. Vamos entender qual é a tal lição do autor.

Bom economista e mau economista

Entre os diversos problemas a serem enfrentados para argumentar contra as más politicas econômicas, está o de mostrar os efeitos econômicos de longo prazo. Temos, em nossa sociedade atual, o problema de tanto os economistas profissionais quanto os cidadãos comuns, verem apenas os efeitos econômicos a curto prazo. 

Ora, uma criança não sabe que ficará com dor de barriga se comer muitos doces? Um vadio não sabe que depois de beber a noite toda, na manhã seguinte estará com uma puta ressaca?  Não sabe um vascaíno que a felicidade e a glória são coisas do passado? Esses agentes sabem que suas ações têm consequências e a tratam como verdades elementares.

No entanto, no campo da economia, temos um problema em enxergar essas verdades elementares. Quando um certo economista foi perguntado sobre os efeitos de longo prazo de suas politicas econômicas, ele respondeu: “No futuro estaremos todos mortos”. Para a alegria dele e nossa tristeza, somente nós, os vivos, é que arcamos com as consequências de sua burrice. O nosso hoje é o futuro daquele imbecil. 

Sendo assim, podemos resumir toda a economia numa única lição, e esta lição numa única proposição:

A arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qualquer ato ou política, mas, também, os mais remotos; está em descobrir as consequências dessa política, não somente para um único grupo, mas para todos eles.

Solução

Entendidos do problema, temos que partir para a solução, e nela, temos outro problema. Ainda mais quando as politicas propostas agradam a população a curto prazo, é muito mais fácil de os maus economistas explicarem suas mentiras. Na verdade, nem sempre são mentirosos. Dizer que se o governo der dinheiro para os pobres a renda deles irá aumentar não é mentira, mas sim uma meia verdade. Até quando esse aumento de renda nominal se sustentará no aumento de renda real? 

Aí é que os bons economistas precisam entrar e mostrar para as pessoas os efeitos nocivos para a economia no longo prazo. No entanto, falar de economia tecnicamente é chato e ninguém gostaria de escutar. Sendo assim, a melhor estratégia, no olhar do autor, é mostrar exemplos práticos sobre como carnaval é bom, mas pegar AIDS com certeza não. Essa é a lição.

Capítulo 02 (Vitrina Quebrada)

Primeiramente vamos usar um exemplo conhecido na economia: a vitrina quebrada. Imaginemos que um garoto levado estava jogando bola e chutou erradamente na janela de um padeiro, jogando estilhaços de vidro nos pães e tortas. Logo os vizinhos chegam para averiguar o que aconteceu, pois o barulho foi facilmente ouvido.

O padeiro também corre para a rua para ver de onde vinha o impacto em sua janela, mas aí o garoto já havia corrido e nem se via mais seus rastros. A primeira vista, a plateia de vizinhos e os economistas profissionais diriam que o que o garoto fez não foi exatamente algo ruim.

Ao que parece óbvio, a vidraça que quebrou terá que ser consertado ou trocada por um vidraceiro que, digamos, cobrará R$ 250. Nesse caso, o padeiro perderá R$ 250,00, mas o vidraceiro ganhará essa mesma quantia. Esse vidraceiro, que teve sua renda aumentada, comprará insumos de alguma outra fabrica que também disfrutará destes R$ 250,00. Assim continuará a economia ganhando ad infinitum.

O erro da plateia

No entanto, a plateia e os economistas profissionais não sabiam que naquela tarde, o padeiro iria comprar um terno novo para a formatura de sua filha, que custaria R$ 250,00. Como a vidraça não pode ser deixada de lado, temos um problema: tendo o padeiro apenas R$ 250,00, ou ele comprará o terno ou consertará a vidraça. 

Sendo a vidraça importante pela segurança de sua padaria e de seus bens, ele não comprará um terno novo, e irá com seu terno velho para a formatura de sua filha. Viu? O que a plateia e os economistas não viram é que o alfaiate que vende ternos deixou de ganhar R$ 250,00, que seriam gastos em insumos ou no que ele quisesse, e novamente, a economia seria beneficiada ad infinitum

Temos aqui o problema fundamental das analises econômicas de economistas e o público em geral: meias verdades consideradas óbvias, mas analisadas apenas em um único setor ou mesmo excluindo problemas em outros cantos da economia.

Capítulo 03 (Destruição Criativa)

A falácia

Chegamos agora na contracapa da vitrina quebrada: a destruição criativa. Nas melhores universidades de economia no mundo, até hoje, é ensinado que após a segunda guerra mundial, houve muito progresso econômico. Muitos economistas até mesmo brincam com a mídia de que às vezes guerras são benéficas para a economia. 

É verdade que no no pós-guerra os os construtores de casas ganham muito dinheiro; da mesma forma, numa guerra, vendedores de armas e munições enchem seus bolsos. No entanto, não podemos dizer que isso é bom para a economia de um país num todo.

O que acontece é que os economistas baratos confundem necessidade com demanda. Um morador de rua tem necessidade de comida, mas isso é por sua falta de dinheiro para aumentar seu leque de opções de compras: ou ele come ou morre. O que quis dizer com necessidade é que ou se constrói casa no pós guerra ou todos dormirão nas ruas.

A Guerra

Por outro lado, demanda se refere a produção de uma economia. Não sendo literal nessa frase, como se eu estivesse dizendo que cair é a mesma coisa que levantar, mas pense comigo: na construção da nosso civilização moderna, depois da Revolução Industrial, Adam Smith nos explicou que é muito mais vantajoso para um padeiro produzir muitos pães caso ele queira carne.

“Mas como assim? Um padeiro faz pães e cai carnes do céu?”, você poderia perguntar. Mas, não, não é exatamente assim. O que Smith quis dizer é que o padeiro faz pães por saber que existe demanda para isso, e com o dinheiro que recebeu, comprará carnes, que é o que ele quer. O mercado é naturalmente egoísta e regulador da demanda e, claro, da oferta. 

O que acontece quando existe guerras é que existe pleno emprego em certos casos. Mas um momento! Se houver uma enchente na sua casa, poderá dizer que foi uma benção o fato de seu filho preguiçoso ter levantado da mesa do computador todo destruído para salvar sua vida. Aposto que, em situações normais, gostaria de ter visto seu filho se exercitando e largado o computador. 

Neste caso caótico, se achará desesperada vendo seu filho tentando salvar sua vida, mesmo que corra como um atleta. O que quis dizer é que numa guerra não se cria demanda, ela só é desviada forçosamente para lugares que comumente não estariam.

Portanto, podemos dizer que a destruição pode trazer benefícios? Os economistas profissionais costumam dizer que houve crescimento econômico na Alemanha e na França após a segunda guerra. Dizem, ainda, que a Alemanha, que foi mais destruída que os Estados Unidos, teve maiores vantagens, já que teve que comprar novos equipamentos para sua indústria, enquanto os e Estados Unidos ficaram com suas velhas maquinarias. 

Ora, pois tenho um plano perfeito: destruam-se todas as fábricas americanas! Melhor ainda: quando todas estiverem reerguidas, destruam-nas novamente! Assim viraremos Wakanda em menos de 10 anos! É claro que isso não tem nenhum sentido.

A Moeda

Um outro problema encontrado é que os senhores economistas confundem riqueza real com riqueza monetária. Sabia que em 2001 você conseguia comprar um frango inteiro por R$ 1,00? Se contasse que a média salarial de um bostileiro em 2022 é cerca de R$ 2.500,00, poderia dizer que somos ricos hoje, não? Claro que não, ora porra!! Hoje somos tão pobres quanto éramos na época, mas a base monetária aumentou e o PIB continua subindo todos os anos, mesmo nós ficando cada dia mais pobres.

Em nenhuma hipótese se acha benefício na destruição de nada, a não ser que isso aconteça bem na hora quem que voluntariamente alguém se ache no momento de descartar seus bens. Ninguém se importaria em ver alguém pisando no celular que acabou de jogar fora. No entanto, aposto que viraria um leão ao ver um economista recém-formado jogando seu Iphone 9 no chão com a desculpa de que era para incentivar o elemento raivoso a comprar um Iphone X Pro.

Mesmo assim, podemos ser otimistas: nenhuma destruição é tão forte a ponto de vencer a vontade dos indivíduos pacíficos em fazer coisas retornarem coisas melhores ainda. De fazer, com o esforço de 1, fazer 2 ou 3. Por isso hoje vivemos melhor que no século XIX: não por causa do estado, mas a pesar dele.

Capítulo 04 (Falácia dos Gastos Públicos)

A crença

Não existe crença mais impregnada no imaginário econômico geral de que os gastos do governo são essenciais. Sem o governo, quem faria hospitais ou pavimentaria as ruas? O que o governo faz sistematicamente é fazer problemas para ele mesmo consertar, como foi o caso da Grande Depressão. 

Mas o pior de tudo é que pensa-se que o governo gasta o que falta no mercado. Se o mercado está em baixa, basta que o governo injete dinheiro na economia. Nesse caso, muitos pensam que para resolver o problema é só o governo se endividar infinitamente, já que a “nação deve a si mesma”. O que maioria das pessoas e muitos economistas não percebem é que aumento de gastos do governo hoje só conseguem ser resolvidos com aumento de impostos amanhã ou com inflações absurdas.

Mais um problema: esses mesmos economistas nunca pararam para refletir sobre o fato de que a inflação, na verdade, é o aumento de impostos a médio ou longo prazo, ou como gosto de dizer: inflação é roubo.

O Golpe

Existem gastos do governo com intuito de fazer escolas, hospitais ou qualquer coisa que seja dita como essencial. No entanto, vou me abster apenas a falar sobre os gastos que são feitos com intenção de gerar empregos ou aumentar riqueza.

Vamos ao caso da construção de uma ponte. Quando chega próximo ao período eleitoral, se aumentam os gastos no sentido de construir coisas visíveis, como um metrô, novos ônibus ou parques bonitos. Quando o político propõe esse gasto, usa um argumento antes da construção e outro depois.

O anterior à construção é de que se a construção não for feita, empregos não serão gerados e pessoas ficarão desempregadas; o posterior a construção é que se não fosse feita a construção, a imponente ponte ou o belo parque não existiria.

Vamos pensar, agora, na construção de casas para pessoas em situação de vulnerabilidade. Para construí-las, a aprovação não é muito difícil, basta dizer que é para os pobres. Desta vez, quando estiverem construindo, os construtores estarão ganhando dinheiro todos os meses e alimentando suas famílias; os políticos, fazendo o máximo para mostrar para a população; e esta última, estará passando na rua e vendo as casas se erguendo. Após a construção, todos verão casas lindas, o governo fará uma grande inauguração e os moradores irão mostrar aos amigos as bênçãos do governo.

É bem fácil para o governo fazer tal façanha pelo golpe visual fácil de ser aplicado.

Os Efeitos

Nem economistas nem as pessoas comuns sabem ver além do que está sendo mostrado. Se para construir as casas foram despendidos dez milhões de reais, ou ele foi impresso ou roubado via imposto. É inteligente pensar que quando se cava um buraco e faz-se uma pilha ao lado, foi criado uma pilha de areia? Completamente não! Só foi, na melhor das hipóteses, transferência de recursos.

O governo NUNCA (eu disse NUNCA!) consegue gerar riquezas ou melhorar a vida das pessoas. Ele pode até beneficiar a curto prazo a vida dos moradores das casas ou dos construtores empregados, mas daí existem dois problemas: 

  1. Na construção foram empregados pessoas e recursos que deixaram de ser usados para produzir ouras coisas, como pães, roupas, livros ou o que quer que seja; e 
  2. O dinheiro usado ali será cobrado, mais tarde, via impostos. 

Às vezes o governo usa dinheiro de caixa para fazer obras, mas na esmagadora maioria das vezes é se endividando, o que será cobrado das pessoas mais tarde; ou então ele imprime moeda e paga, que também será cobrado dos escravos depois.

Existe, ainda, a opção dos pagadores das casas populares demorarem 30 anos para quitarem suas dívidas, o que também será pago por todos. Ou seja, em todos os casos, para beneficiar um, foi necessário prejudicar outro.

A Iniciativa Privada

Por último, um dos ataques que se fazem aos que são contra gastos do governo é que “se não fosse o governo, a iniciativa privada nunca iria gastar quatrocentos trilhões para tirar nove bilhões de brasileiros da miséria”. Isso pode até ser verdade, mas de onde veio o dinheiro público? Quero dizer, de onde vem o dinheiro de uma quadrilha senão do bolso de um trabalhador honesto? 

Todo dinheiro do governo veio da iniciativa privada. E será mesmo que os políticos são tão acima da média para saberem alocar recursos melhor que a iniciativa privada? Será que nós, numa democracia, estamos tão longe assim de governos de economia centralizada como eram os russos sob o governo stalinista? 

Claro, não estou colocando os dois regimes em pé de igualdade, mas quero dizer que já houveram exemplos econômicos suficientes na história econômica mundial para os economistas entenderem que não existe nenhuma possibilidade de um governo centralizado monopolizar as decisões de alocação de recursos sem desperdiçar, destruir ou, no mínimo, atrasar a geração de riquezas naturais dos indivíduos pacíficos. 

Na melhor das hipóteses, um governo pode fazer como a criança na praia: tirar forçadamente areia de um lugar e coloca no outro sem  ninguém pedir. Mesmo assim, coloque na sua cabeça: Gastos do governo significam aumento de impostos, e nunca (NUNCA!) se pode pensar que o governo gera empregos ou aumenta renda de ninguém. O mercado, e somente o mercado, ao longo de toda a história da humanidade, foi capaz de tirar pessoas da miséria e levá-las à prosperidade econômica.

Capítulo 05 (Impostos)

É notório para todos que, assim como Hans Hermann Hoppe afirmou em seu livro Democracia, o deus que falhou, que quanto mais impostos, menos civilização. Quanto maior o nível de expropriação do estado, menor será a vontade ou capacidade de pessoas pacíficas enriquecerem. É sobre isso que Hans Hazlitt quer conversar.

Contabilidade

É comum que as pessoas em seus dias normais pensem que um país funciona como uma empresa. Em uma empresa, se o empresário quiser alocar dinheiro de um setor da empresa para colocar em outro, o que ele fez foi apenas realocação de recursos da própria empresa.

No entanto, quando pensamos em um país, a coisa é diferente. A empresa tem suas receitas de acordo com seus ganhos privados em negociações pacíficas, enquanto o governo tem suas receitas por expropriação privada. Ou seja, tudo o que ele pode alocar de recursos, antes foi retirado de alguém a força.

Nesse sentido, não é verdade que, por exemplo, se o governo der dinheiro para B, ele apenas fez uma transação contágio. O que ele fez, na verdade, foi tirar dinheiro de A e dar para B. Em suas propagandas governamentais, os políticos e economistas falarão incansavelmente sobre os benefícios de B ter recebido dinheiro, mas nunca sobre as mazelas das perdas de A.

Incentivo

Tem de ser notado e explicado para as pessoas o óbvio: só trabalhamos todos os dias se tivermos a certeza que receberemos nosso salário no final do mês. Da mesma forma, os empreendedores (quem são os geradores de empregos) só irão dispender seu capital guardado em baixo risco para uma empresa se souber que terá possibilidade de retornos com isso.

Tendo em vista o óbvio, entendemos que quanto maiores os impostos sobre a renda e produtos em geral, menor a propensão às pessoas trabalharem e empreenderem. Se a cada moeda que recebesse, metade dessa moeda fosse do governo, ou você pararia de trabalhar e empreender ou,  no mínimo, não se esforçaria nem arriscaria tanto para crescer.

Os impostos, segundo o autor, devem estar numa linha abaixo do que se entende que é o ponto em que as pessoas se verão desincentivadas a prosperarem economicamente.

Empregos

Em síntese, o que o autor quis dizer neste capítulo é que quanto maiores forem os impostos, menores serão as chances das pessoas arriscarem seu capital e sua força de trabalho. Em suma, mesmo que economistas keynesianos queiram dizer que o governo pode gerar empregos aquecendo a  economia, se a forma não for diminuindo impostos, será tolice.

Se para gerar empregos o governo gasta mais dinheiro, o que ele está fazendo é perpetuar a ideia de tirar de A e dar para B. A, que é o gerador de riqueza, será cada vez menos incentivado a produzir e, no longo prazo, o governo terá que aquecer ainda mais a economia, e voltaremos ao ciclo.

Este é o ciclo sem fim da economia moderna aplaudida por muitos economistas inspirados no nobre John Maynard Keynes, que disse a famosa frase “no futuro estaremos todos mortos“. Isso é verdade. Hoje, ele está morto, mas nós continuamos pagando os “patos” das más ideias do passado.

Capítulo 06 (Incentivos do Governo)

Regulamentações e aumento de impostos costumam ser visto com maus olhos do público em geral. No entanto, mesmo seus “incentivos” ou benefícios à empresas e pessoas também devem ser visto com olhares desconfiados. É sobre isso que falaremos no capítulo de hoje.

Tanto os incentivos do governo quanto os bloqueios são, na maioria das vezes, problemáticos ao mercado. O governo atrapalhar o mercado se autorregular é, sem necessidade de mais explicações, ruim. No entanto, os incentivos, que não é tão intuitivo, também causa problemas econômicos.

Os incentivos do governo, quando se trata de política monetária, sempre cria inflação, que é sempre um fenômeno monetário. Entretanto, não vamos, agora, nos ater à questão da inflação, considerando, provisoriamente, que os incentivos não causam inflação.

Criando problemas

O primeiro passo antes de qualquer governo tomar uma medida é, sem dúvidas, criar um problema. Como o governo cortaria a taxa de juros para diminuir a o aumento dos preços se antes ele mesmo não tivesse imprimido moeda loucamente e causado inflação? Como combateria a venda de drogas se antes não tivesse criminalizado pessoas pacíficas fazerem comércio?

Em matéria de incentivos governamentais, o governo age exatamente assim. O mercado nunca está no nível ideal. Sempre é necessário que o governo expanda ou contraia o mercado, visto que é sempre necessário que ele resolva algum problema (entenda).

Para o governo, a questão do crédito nunca é exata, e ele sempre precisa emprestar mais do que já existe no mercado. Ele facilita para alguns e, após um tempo, diz que os grandes peixões do mercado têm muito, e é necessário emprestar aos pequenos empresários.

Empréstimo privado

No entanto, os empréstimos do governo são bem diferentes dos empréstimos privados. Quando alguém pensa em montar uma empresa, ele junta seu próprio capital e compra, por exemplo, uma terra para ser sua fazenda. Ele produz, vende e adquire mais capital. Agora, adquire empréstimo para comprar maquinário e conseguir produzir mais ou melhor.

Quem empresta o dinheiro, coloca seu capital em risco em troca de terça parte do empréstimo ou uma garantia na própria terra do fazendeiro. Após isso, o fazendeiro, com o próprio maquinário que comprou com o empréstimo, paga o emprestador com juros. Messe caso, todos os agentes e a comunidade em volta ganharam. O que é importante pensar aqui é que todos nessa aventura colocaram o seu na reta. 

Imaginando o fazendeiro com sua propriedade alienada ao empréstimo, e o emprestador com seu capital, em caso de default, os agentes tendem a ser mais cautelosos, visto que estarão cuidando do próprio dinheiro. No entanto, como o governo será assim se ele está emprestando e gerindo um dinheiro que não é dele, e que, caso perca, os agentes do governo não perderão nem um único centavo?

A questão do crédito não é diferente de outras mercadorias, onde existe a escassez. Crédito também é escasso. Se é dado a A, B vai ter menos ou nenhum crédito. Por isso, os emprestadores são cautelosos em emprestar para os melhores tomadores possíveis, aqueles que provam com seu histórico terem capacidade de pagar os empréstimos.

Empréstimo público

No entanto, o governo, como é muito bonzinho, entra no mercado para oferecer crédito à B, com maior risco de inadimplência. Não é perseguição ao governo dizer que ele empresta à B, que é um mal pagador. Os números de inadimplências em empréstimos concedidos pelo governo são quase sempre maiores que os da iniciativa privada. E nisso, além do pagador de impostos pagar, o devedor fica com um histórico de crédito pior do que já tinha, crédito é “queimado” do mercado, e a sociedade deixa de evoluir porque, invés do dinheiro ter sido emprestado à A ou C, com bom histórico de crédito, foi emprestado à B, por ser amigo do rei, ou por ter aproveitado de alguma promoção do governo bonzinho.

Sendo um pouco mais detalhado nessa questão, você sabe que quanto maior a produção, estando a demanda igual, menor o preço. De forma simplificada, quanto maior a produção, ceteris paribus, os preços diminuirão, mais empregos serão gerados e a sociedade irá se desenvolver. Para isso, precisa-se de produção, e, muitas vezes, produção precisa de crédito. Nisso, voltamos ao que expliquei sobre o governo bonzinho, quando concede crédito à tomadores de baixa qualidade, ele prejudica a sociedade.

Considerações finais

Em suma, o que podemos entender é que, para o governo conceder empréstimos a qualquer empresa, ele precisa necessariamente tirar de outros. Voltamos ao pensamento de que o governo, na melhor das hipóteses, não atrapalha. No entanto, nunca consegue ajudar. Ele faz um castelo de areia criando um buraco na praia, mas nunca cria algo novo.

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